04 janeiro 2009

A porta abriu sem fazer muito barulho e ouvi o soar de umas patinhas de veludo a pressionarem graciosamente o soalho. Não tinha tido tempo de ordenar ao cérebro que me abrisse os olhos, mas já sentia a ponta do nariz a gelar. Todas as manhãs, neca - a minha neca - entra no meu quarto, salta para a minha cama e cheira-me o nariz enquanto emite um reconfortante ronronar.
Encontrava-me exactamente como quando me lembrara de fechar os olhos e implorar a qualquer coisa superior que me levasse dali. Ainda lá estava, graças ao que se pode chamar Deus?! Sem razões para isso, uma leve esperança ocupou o meu peito e preencheu, ainda que parcialmente, o vazio que na noite anterior o assumava.
Talvez o meu melhor amigo tenha razão: quando lhe contei o que se passara, o misto de vazio, tristeza e frustração que tomara conta de mim nas primeiras horas da primeira madrugada do ano, limitou-se a sorrir e a dizer: "Mas tu és... aquela coisa, sempre a melgar... Até o fim do ano melgas!" A sua expressão transmitia compaixão, assim o espero.

1 comentário:

Anónimo disse...

Esse rapaz devia era de levar um nobel ou assim ... isso ou um belo de pão com chouriço