12 janeiro 2009

Faz amanhã uma semana que eu e o Pedro nos encaminhámo à mais recentes loja de "electrocoisos" da cidade pois ele precisava de comprar uns head phones novos. Depois de, sensivelmente, trinta minutos - para não dizer meia hora - ele decidiu que modelo compraria, embora não fosse o modelo mais bonito, para minha desilusão. Bolachas de canela e um pacote de Rik&Rok proporcionaram-me uma tarde, muito produtiva a fotografar. E por momentos senti-me inteiramente feliz: as fotos ficaram bonitas e cada vez me entendo melhor com o modo manual da máquina fotográfica. O humor do Pedro também ajudou, confesso! Obrigada!

08 janeiro 2009

Os dias de escola que se seguiram foram como todos os do primeiro periodo: ora me sentia bem, ora a cada minuto que passava me doia mais o simples facto de respirar. Pelo menos uma das minhas "auto-promessas" eu estava a consseguir cumprir - por mais que não fosse, à luz dos meus olhos - estava a reaproximar-me dos meus amigos. (Daqueles de quem me afastara.)
A Mariana é a minha "base sólida", como uma vez ela me definiu. Apesar daquilo por que a nossa relação passou, eu não a conssegui julgar em momento algum e pouco a pouco as coisas voltarão ao que eram.
O Filipe é uma causa perdida - na medida em que não acredita em mim - mas é-o de uma forma adorável. Ele é demasiado imaturo para me preocupar com o que pensa. O cérebro dele deve irritar-se de pensar tal como ele se irrita quando está com fome ou com sono, e por muito que tente fazer a valer a minha visão dos factos, não conssigo! No entanto eu adoro-o, e ele sabe disso tão bem como eu. Não tenho quaisquer dúvidas de que a nossa amizade perdura e perdurará.
O Rodrigo é, por vezes de todos o que mais me agrada, parece que nunca me julga. Pode ser imaginação minha, mas por muito que a nossa relação se resuma a tabefes a brincar - que eu nem sequer força para dar tabefes a sério tenho - e conversas de café, eu acho que ele conssegue perceber quando não estou bem. E não me "invade" com perguntas ou acusações que na maioria das vezes nos põe pior. Por outro lado, nalgumas alturas tenho pena de não falarmos mais... mas se falasse mais com o Rodrigo ele deixaria de ser o meu amigo Rodrigo, como o conheço e como ele é.
O Pedro tem sido uma surpresa agradável, mas ainda encontro dificuldade em por de parte o terror que tenho de não compreender o que lhe vai na alma. Com ele nunca sei se estou a agir bem ou mal, nem o que ele pensa de mim e isso assusta-me. Não obstante, tenho me divertido com ele... é como um jacto particular que me leva daqui para fora quando é preciso. Não me pergunto porquê.

06 janeiro 2009

A esperança que me invadira pela manhã já não me acompanhava. Era o último dia das férias de Natal e não consseguia controlar o desespero que se apoderava de mim, cada vez que pensava em ir para a escola no dia seguinte. Antes de dormir, depois de passar um dia a convencer-me a mim mesma de que ia faltar às aulas no dia seguinte, tentei pensar em coisas boas. Pensei que não valeria a pena desperdiçar um ano da minha vida só porque me sentia extremamente mal naquela escola e naquela turma. Planeei que passaria o minimo de tempo possivél ali e que ocuparia o resto do meu tempo a fazer coisas que me fariam bem. Prometi a mim mesma que me ia dedicar mais aos meus amigos, aos estudos e ao meu quarto.

O toque do despertador, na manhã seguinte, não soou tão aterrador como muitas vezes me parecera no passado periodo escolar. Acordei inundada de uma calma que não conhecia e, sem pensar demasiado, aprontei-me para ir para a escola. Os sete minutos de caminho estenderam-se a cerca de doze, em conformidade com a minha extrema vontade de entrar naquela "instituição". Talvez a calma que me preenchera ao acordar se chame sono e, agora, não me restava uma rédia de sono, de tanto que o meu coração palpitava.
Todas as aulas do dia custaram a passar, na medida em que a única coisa que os meus ouvidos queriam precepcionar era o toque de saída. Parecia que o vento soprava em direcção aos ponteiros do relógio, contrariando o seu movimento. A única coisa que me alegrou foi rever alguns dos meus amigos mais chegados e perceber que sentiam o mesmo que eu quando me viam. Por outro lado, enquanto observava, do último andar de um dos blocos da escola, a afluência de pessoas às salas de aula aquando do toque de entrada da uma e meia da tarde, entristecia novamente por não haver, absolutamente nada de novo naquele lugar e a minha vida se resumir à mais rotineira, aborrecida e frustrante vulgaridade.

04 janeiro 2009

A porta abriu sem fazer muito barulho e ouvi o soar de umas patinhas de veludo a pressionarem graciosamente o soalho. Não tinha tido tempo de ordenar ao cérebro que me abrisse os olhos, mas já sentia a ponta do nariz a gelar. Todas as manhãs, neca - a minha neca - entra no meu quarto, salta para a minha cama e cheira-me o nariz enquanto emite um reconfortante ronronar.
Encontrava-me exactamente como quando me lembrara de fechar os olhos e implorar a qualquer coisa superior que me levasse dali. Ainda lá estava, graças ao que se pode chamar Deus?! Sem razões para isso, uma leve esperança ocupou o meu peito e preencheu, ainda que parcialmente, o vazio que na noite anterior o assumava.
Talvez o meu melhor amigo tenha razão: quando lhe contei o que se passara, o misto de vazio, tristeza e frustração que tomara conta de mim nas primeiras horas da primeira madrugada do ano, limitou-se a sorrir e a dizer: "Mas tu és... aquela coisa, sempre a melgar... Até o fim do ano melgas!" A sua expressão transmitia compaixão, assim o espero.

03 janeiro 2009

A noite percorria-me as veias enquanto eu permanecia atirada sobre a colcha alaranjada que vestia a minha cama. Era inevitável não pensar, não reflectir à cerca daquela noite e, até, dos últimos dias que mais pareciam meses. Os meus olhos limitavam-se a fitar a luz, muito fraca, do candeeiro que permanecia, há alguns dias, do lado direito da minha cama embora não pertencesse ali. Cada vez mais detestava festejar uma coisa que não existe. O Tempo não existe, foi uma mera invenção humana para dividir a evolução aos pedaços. Porque haveria eu de fazer coisas especiais para marcar a passagem de uma coisa que não existe? Um ano: trezentos e sessenta e cinco dias: oito mil setecentas e sessenta horas: quinhentos e vinte cinco mil e seiscentos minutos: trinta e um milhões e quinhentos e trinta e seis mil segundos? Para quê? Não há nada de diferente à minha espera ao soar das doze badaladas...
Enquanto relembrava a inútil noite de celebração, e cada peripécia do meu dia de preparativos para a mesma, não consseguia deixar de sentir o frio que me envolvia nem a dor que latejava no meu peito, por mais que a tentasse parar. Senti o olhar embaciar-se e pestanejei. As lágrimas saltavam-me dos olhos e escorriam-me pela face, imóvel, até desenharem pequenas pintas mais escuras na colcha alaranjada. Sentia-me perdida e terrivelmente vazia de tal modo que, nem em mim me encontrava. Agarrei-me à almofada que jazia, intocável, à cabeceira da cama desda última manhã e fechei os olhos à espera que a "evolução" se encarregasse de mim.